terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Pode ser!

eu acho as árvores
da visconde de albuquerque
tristes demais!
os troncos são grossos
e tem suas veias expostas
em expressões congeladas e sofridas!
o que será que aconteceu?
será que elas foram amaldiçoadas
por uma bruxa ou um bruxo
a viverem prisioneiras delas mesmo
por centenas de anos,
ao redor de um canal de mau cheiro?

domingo, 20 de dezembro de 2009

Pânico.

bateu a porta com força
não se permitiu pensar
descia as escadas descalço;
o rosto inundava lágrimas;
entupido de adrenalina
corria pela rua sem ver nada;
não demorou para ser golpeado
na cabeça pelo sol forte da manhã;
sentia pequenas pedras soltas
arranharem seus pés macios;
sentou em um banco de concreto
em frente a praia de são conrado;
a respiração estava ofegante
ele não imaginava o quanto aquilo
ainda o faria sofrer.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Help, I Need Somebody!

pia cheia
pratos empilhados
todos os copos
possíveis
estavam sujos.

bebia coca
na caneca;
preguiça
de lavar
a louça


casa empoeirada
cama desarrumada
sapatos e meias
e s p a l h a d o s
pelo quarto

camiseta abandonada
em cima da poltrona
não aguento mais
comer comida
congelada

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Volátil

já vi aquele rosto
borbulhar expressões.
simplesmente, volátil
um dia, organizava florestas
no outro, largava copos pela casa.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Nem tudo Mudou.

de dois anos para cá,
tudo mudou muito
com exceção de uma coisa:
minha melancolia
essa segue inalterável.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Imune.

que sufoco 179 lotado
estava tão quente
que o vento suava
sufocado sai do Ônibus
e peguei um frescão.


dentro do frescão
estava imune ao calor.
sentado na poltrona.
assistia as gotas
escorrerem pela janela.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

De Passagem.

pendurou-se com as patas na grade;
língua para fora, orelhas grandes
na expectativa de ser notado;
encantada com o filhote, ela fez carinho;
de alegria, ele lambeu seus dedos;
a senhora beijou o cão e se despediu,
enxugou as mãos na camiseta e partiu.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Crime.

foi no dia dezoito de agosto
às cinco e quarenta da tarde
jogaram uma bomba no ceú;
nuvens partidas em pedaços
flutuavam solitárias em um imenso azul;
algumas ficaram rosas, outras amarelas;
o céu ficou todo rabiscado;
involuntariamente, a noite chegou
e apagou todas as evidências.

1989.

chove muito
vou estrear
minhas galochas
não perco
uma poça
por nada!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Away

infelizmente embarquei na sua beleza.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Provocativa!

enquanto você brinca de faz de conta,
sua beleza se sobressaí e eu confesso 
que nas entrelinhas, faço um esforço além da conta 
para não perder o controle e me afogar em emoção.

sábado, 3 de outubro de 2009

Madrugada na Delfim.

postes enfileirados
por toda a orla;
jogam suas luzes frias
sobre um calçadão vazio;
a única vida ali
é o som das ondas
estourando na areia

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Casa de Sandro 2

Na última terça feira fui prestigiar a Semana dos Realizadores, evento que ocorreu no Arteplex, onde me surpreendi com longa metragem de Gustavo Beck “A Casa de Sandro.”

Ver o filme foi como ir a uma exposição de artes e se deparar com várias pinturas. A diferença é que tudo se transforma com o tempo. O filme te possibilita experiências sensoriais: é possível sentir cheiros, texturas e se sensibilizar com as imagens belíssimas. Outro fato desconcertante é a harmonia entre as imagens e sons que transportam os telespectadores para dentro da Casa de Sandro. O protagonista Sandro surpreende todos com seus depoimentos incríveis, deixando transparecer naturalmente sua personalidade singular. Resumindo, o cinema de Gustavo Beck transborda sensibilidade pela tela inundando os telespectadores de emoções.

domingo, 27 de setembro de 2009

Leitura.

tratei de sentar no banco;
ao lado de um passageiro
que cheirava a jornal.
abri o livro na página 168.
o ônibus barulhento de vozes
passou a balançar palavras;
algumas voaram com pensamentos
outras se perderam no caminho
de uma leitura toda esquecida.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

É verdade...

a cada análise, ele tenta ser crítico ao extremo
procurando algum traço de personalidade repugnante
mas cada vez mais tudo tem mais graça
e a desgraça vem do vigésimo quinto andar.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Quebra Cabeça.

para todos os cantos
ele carrega na mochila
o rosto incompleto
montado em quebra cabeça.

sábado, 19 de setembro de 2009

Olhos D’água.

olhando para cima
debaixo d'água
via o prédio
se mexer
com a água
da piscina.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Casa de Sandro.

casa de paredes amareladas;
piano desafinado sem notas;
teia de aranha no banheiro;
mosquitos em toda parte;

aquele jardim explode cores;
as árvores tem personalidade;
ficar de óculos escuros
é como enxergar em pb.

Mute.

bocas falam;
passeando no ar,
maos gesticulam;
infelizmente,
a música
não deixa
eu ouvir
nada.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Inferno de Trânsito

o sol derrama seus raios
sobre o onibus lotado;
fazendo inflamar o odor
de perfumes vagabundos
misturado com suor escorrido
no corpo mal lavado;
entorpecidos no mal cheiro
corpos rezam para o trânsito acabar.

domingo, 30 de agosto de 2009

Coisas de Praia.

pés na areia
canga esticada
bundas se mechem
buracos cavados
conversas de ontem
água gelada
biquini apertado
corpos malhados
pessoas molhadas
barraca na sombra
cheiro de protetor
crianças correndo
biscoito oglobo
chinelo interrado
celular sem sinal
barulho de praia
ondas salgadas
hora de ir embora
areia grudada
toalha batida
almoço combinado

Era uma Vez na República.

lá vive uma senhora contadora de histórias
olhos verdes, cabelos loiros
e um coração que cabe mais gente que copacabana.

na mesma casa, mora um menino que vive sem camisa
ele carrega seu violão para todos os cantos
dono de uma bondade jamais vista.


no último quarto dorme uma baixinha de personalidade
sempre antes de dormir, pedia ajuda para fazer a cama
era gostoso acordar ela com beijinhos e ver seu olho abrir pequeninho.


sinto saudades dos fins de semana no sétimo andar.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Eu vi.

um céu mesclado
de água e sol
derramava
sobre a praça
uma luz
mais brilhante

domingo, 23 de agosto de 2009

Encontro com Silvia.

fiquei surpreso em observar
tamanha mudança sofrida por ela;
escondia sua frustração
atrás de uma roupa preta;
a maquiagem deixou seu rosto pesado;
envolvida por uma energia carregada
silvia se perdeu em trajes emocionais.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Vento Ventania.

ele havia acabado de sentar
numa mesa na calçada,
em plena ataulfo de paiva.

surgiu um vento bagunceiro
carregando guardanapos
para fora da cafeteria.

seu sopro trouxe o frio;
ele tentava fechar a jaqueta
enquanto o vento bagunçava seu cabelo.

quando a ventania foi embora,
ficou sozinho na calçada
mexendo seu café com leite frio.

domingo, 16 de agosto de 2009

Azia X Gula.

insiste em aparecer
sem avisar
cisma em condenar
a refeição perfeita
nem a água é capaz
de apagar a queimação;
horas a fio de desconforto
a culpa é da gula
movida pelos olhos graúdos
e uma vontade instantânea
da repetição do prazer.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Bairro da Glória.

daqui dá para ver
cinco pistas cobertas de sol
com centenas de vidas engarrafadas;
vendo de cima, árvores parecem nuvens verdes;
no fundo de tudo isso, uma praia inofensiva
onde barquinhos flutuavam sobre águas mornas;
do outro lado, prédios antigos compõem o visual;
depois de um minuto, virei de costas e ignorei tudo isso.

domingo, 9 de agosto de 2009

Banho Recente.

dedos deslizam
no vidro embaçado
deixando palavras
a desmanchar.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Abraço Partido.

olhos da janela
viam a rua cinzenta
rompida por um sinal;
ela acenou para o homem;
meio sem jeito,
ele repetiu o gesto;
os dois se aproximaram
como ima e ferro;
ela abriu os braços
para recebê-lo
com abraços apertados;
queria que durasse para sempre.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Desastre Natural

aperta a barriga;
ausência da bainha
faz tropeçar no pano;
meia encolhe nos pés;
haste afrouxada
resulta na queda;
óculos escuros arranhado
de tanto cair.

domingo, 2 de agosto de 2009

Coisa de Criança.

dedos brincavam
com o interruptor;
música alta;
quarto virou boate;
pista de uma criança
que dançava no espelho
enquanto a luz piscava.

domingo, 26 de julho de 2009

pb.

imagine o mundo pb.
árvores, prédios, praias
tudo em preto e branco.
viveríamos em uma nova era
onde o passado terá roubado as cores
e aprisionado os cérebros
em celas de lembranças.
nesse tempo, não existirá sabor
um período sem expressão
onde a opinião entrará em extinção.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Previsão.

o amanhã ainda reserva
uma primavera constrangida
vestida de cores discretas
estação em sua maturidade
nunca mais será a mesma
mas continuará surpreendente.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

quando vivia naquele presente
achava o avesso perfeito;
ela pediu apenas sua presença
mas ele apitou o fim.
simplesmente, apertou o botão
ejetando o seu amor para fora
de sua vida recém perdida.

sábado, 18 de julho de 2009

Retrato de um Torcedor.

sentado na poltrona
pés sobre o puf
assistia o jogo
sem camiseta.

latinha de cerveja
apertada na mão.
reclamava do time
para televisão.

num piscar de olhos,
gol do fluminense!
vibrou com um grito
surpreso e emocionado.

sua expressão mudou.
sorria feito um menino.
animado com a partida
acendeu mais um cigarro.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Susto Necessário.

despertador explodiu
no ouvido adormecido
ficou desorientado
de um sono interrompido

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Frida Fria

abajur Ilumina
com timidez
a inexpressão
do Abraço afastado

lábios gelados
beijos azedos
um paradoxo
da sua fantasia

perfume agridoce
mãos envelhecidas
o rosto não esconde
sua beleza triste

pelo que parece
a bela mulher jamais
se permitiu viver
um grande amor

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Enterro.

mãos sujas de terra
sentado no seu jardim
ele continuou cavando
até formar um buraco
fundo o suficiente
para enterrar a saudade

sábado, 11 de julho de 2009

Coisas de Narigudo.

sempre quando
bebo um expresso
fico com o nariz
pintado de café.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Porre de Aeróbica.

quarenta e cinco minutos
pedalando na ergométrica
corpo completamente suado
saiu da bicicleta tonto
perdeu o equilíbrio
por pouco não caiu.

Cama de Boneca.

sua cama
parecia de boneca
no canto havia
roupas empilhadas
quando dormia ali
minhas canelas sobravam para fora.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Em Algum Lugar.

gotas despencam
de calhas molhadas
apenas um fio
sustenta pombos
entre postes

o céu se contradiz
em cores e tons
a janela ficou aberta
com o som do vento
a cortina dança

domingo, 5 de julho de 2009

difícil imaginar
ali já foi palco
agora é um lugar
onde lembranças
atormentam a saudade

sábado, 4 de julho de 2009

Inesperado.

tudo aconteceu muito rápido
apenas emprestei meu casaco
minutos depois estávamos
nos beijando intensamente
a festa rolava solta
haviam senhores bêbados
com charutos e copo de uísque
ela me levou até a sauna desligada
nos agarramos em beijos
ao som de barry white

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Ao Despertar.

onze horas da manhã
deitado na cama
ouvi a caneca
em atrito com o pires
a faca esbarrou no prato
hum! adoro barulho
de café da manhã.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Depois do Filme.

na sala escura
se espreguiçou
diante da tela
que exibia créditos

saiu do cinema
ainda acordando
do filme que viu
andava meio esquecido

seus olhos castanhos
estranharam a luz
lembrou-se que precisava
ir ao banheiro

domingo, 28 de junho de 2009

Em Uma Dessas Casas.

era possível
ver os rostos
quando a luz branca
piscava ferozmente
música alta e incômoda


a mulher feia
andava sozinha
ela sorria
para todos os homens
que conseguisse enxergar


fumaça do cigarro
fazia os olhos arderem
na noite, a educação
se perdeu nos empurrões
definitivamente,


não gosto de boates

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Moleque.

naquela época me achava esperto,
apertava todos botões do elevador,
tocava campainha e saia correndo
me sentia a criança mais forte do mundo
depois de um copo de nescau.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Caminhando.

é noite no centro
eu sigo caminhando
por ruas estreitas
carla bruni sussurra
nos meus ouvidos
canções de amor
chão de Paralelepípedo
sobradinho azul
descascando em abandono
mergulho em ruas vazias
com edifícios altos
em meio aos prédios
é possível enxergar
um recorte do céu

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Dá até para imaginar.

dormi na casa
de uma pessoa
que não conheço
um apartamento
decorado de objetos
que expressam
os seus gostos

pude observar
que aprecia
os filmes
do hitchcock
além de ser
viciado em pastilhas
de after eight

parece que ele
costuma pedalar
com sua bicicleta
que fica pendurada
no alto da parede
de um quarto vazio
aparentemente, sem dono

eu até imagino
o dono da casa
um senhor magro
de pele envelhecida
cabelos grisalhos
e um sorriso imenso
que não cabe na boca

sábado, 20 de junho de 2009

Túnel

asfalto áspero é
esmagado por rodas
de carros e ônibus.

atravessam a iluminada
montanha perfurada
que divide a cidade.

os destinos infinitos
levam a milhões de universos
individuais

terça-feira, 16 de junho de 2009

Registro.

ali as paredes
são cobertas
por quadros
móveis antigos
preenchem a sala
um abajur quebrado
divide o espaço com
portas retratos espalhados
na mesinha de madeira
não esqueço dos tapetes
eu sempre tropeçava neles

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Raivinha.

olhos fechados;
deitado na cama
enrolado no cobertor
quase dormindo
quando o inseto voador
resolveu visitar
o meu ouvido;
seu barulho
denunciou a sua
quase chegada;
levei um susto;
escondi minhas orelhas
volumosas desse
mosquito desabrigado
e antes de dormir
eu pensei
será que os mosquitos
não dormem?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Visita inesperada.

ao abrir a cortina
a luz entrou;
uma convidada folgada
que foi se espalhando
por todo quarto.

domingo, 7 de junho de 2009

Finalmente.

entrou no quarto
tirou a mochila
das costas;
sentou na cama
respirou fundo
e finalmente
tirou os sapatos.

Rascunho de Sonhos.

tudo aconteceu
nos rascunho de papel;
borracha apagou
expectativas falsas;
por cima do vazio
o lápis fez desenhos
que traduzem melhor
os seus novos sonhos.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Perna de Pau.

futebol no prédio;
ao chutar a bola
seu chinelo voou
em direção a janela
que se quebrou.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Como pode?

ela tem a mania de fazer
várias coisas ao mesmo tempo;
outro dia escovando os dentes
no sofá enquanto via televisão;
não sei por que diabos
ela insiste de simultaneamente
enquanto fala no telefone comigo
conversa com resto do mundo no msn.

sábado, 30 de maio de 2009

Poesia de bolso

pedi uma coca;
ouvia piaf no mp3;
rabiscava a folha
com o lápis de cera;
frases soltas no papel
sem perceber comecei
a escrever uma poesia;
com linhas tortas;
letras borradas;
a banana split chegou;
três bolas de sorvete
caldas e uma cereja vermelha;
jogo americano de papel rasgado;
botei a poesia no bolso
e fui para casa.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

29/05

fiquei preso no trânsito
tempo suficiente para perder
a paciência do cotidiano;
no trabalho, eu ouvia
as vozes das pessoas
se misturando provocando
um som embolado o suficiente
para embaralhar a minha enxaqueca;
quando o relógio marcou seis e trinta
não se ouvia mais barulho;
fiquei absolutamente perdido.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Luz de Velas.

não havia luz;
andava pela casa
com uma vela
presa a um prato
repousou-a na cabaceira;
deitou na cama;
pegou o livro;
leu algumas páginas;
quando sentiu
a presença do sono
largou o livro
assoprou a vela
e se cobriu.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Banho de Água Fria.

pé corajoso se posicionou
embaixo do chuveiro frio
o restante do corpo torto
aguardava com calafrios
nada da água esquentar
estava em tremedeiras
não havia escolha
além de um banho
de água fria.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Childhood.

ao colocar a jaqueta,
a pobre criança se atrapalhou;
seu braço esquerdo se perdeu
em meio ao tecido do casaco;
vento barulhento balançava árvores;
as folhas amareladas flutuavam
para dentro da sala;
ele desceu as escadas apressado;
saiu correndo deixando a porta escancarada.

Uma Garfada.

mão gordinha
segura garfo;
garfo espeta
a carne;
carne ve
uma boca;
boca mostra
os dentes;
dentes mastigam
o alimento;

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Esferografia falha.

seu traçado
não é mais
o mesmo!
foi difícil
completar a frase.
a caneta vermelha
está morrendo.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Linha 179.

irritado ele dirigia
com agressividade.
freadas contínuas
assustavam passageiros;
vidros trememeram;
cabelo da feia mulher
balançava sem cadência;
pessoas em pé
se equilibravam;
sinal ficou vermelho;
o ônibus parou;
passageiros respiraram;
vidro parou tremer;
aquele cabelo feio
não voou mais;
quando o sinal
ficou verde,
tudo começou de novo.

domingo, 10 de maio de 2009

Wanda.

todo dia ela acordava
as cinco da manhã
para comprar pão.

quando todos levantavam,
a mesa já estava posta e
ela já estava lendo o jornal.

fazia palavras cruzadas
os netos a interrompiam
para abraços e beijinhos.

as crianças ficavam
super atentas quando
wanda contava suas histórias;

uma senhora divertida
de humor e caráter raro;
um doce de pessoa.

aos sábados ia a feira
comprar frutas, legumes e peixe
para o almoço.

todo sábado tinha peixe frito;
seus filhos se reuniam para cozinhar;
enquanto,os netos faziam bagunça livremente.

sua especialidade
eram os biscoitos de granola
ninguém fazia como ela.

Ressaca.

exausto, me sentia afundado
na rotina do trabalho;
o corpo fedia a bebida e cigarros;
cotovelos apoiados na mesa;
mãos inquietas esfregam
os olhos avermelhados;
noite virada no vazio
de uma embriagada madrugada
em bares malditos que não fechavam;
destruído, esqueci o cansaço
tomando um balde de café e
voltando para o trabalho.

Game Over.

estava me corroendo.
não podia mais esperar.
eu precisava contar.
a verdade foi dita


o silêncio foi a reação.



ficou um vazio assustador



exposição necessária
coragem foi um ato nobre
fico feliz por ter dito
de arrependimento não morro

game over.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Janela do Carro.

toda vez eu aprecio
da janela do carro
um quadro com moldura.
sem uma pintura fixa

outro dia meus olhos capturaram
a arte sem intenção de ser
o quadro em movimento,
um filme sem película

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Flexão.

suspiro, só, sozinho sem sombra;
nada nem ninguém, na noite
faz frio, fico flutuando firmemente;
procurando, pensando palavras perfeitas para
você voltar, vislumbro várias vezes
melodias melhores, modernas, mastigando medos
bobos; bestificado, brindarei bebendo bastante
água ardente até adormecer ausência;
esquecendo esta energia, encontrarei ela
deitada, dentro da desordem do
sonho nítido, fumando prazer violento;
maravilhoso beijo, ardia enquanto dormia.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Acorda!

sempre atrasado para chegar em algum lugar;
seus cadarços viviam desamarrados;
de novo saiu sem se barbear
brisa deixou-o despenteado;

assim chegou ao trabalho
impaciente,ansioso, irritado e desarrumado;
olhou e-mails e deu telefonemas
interrompeu a tarde para um café;

aquecia as mãos na xícara
enquanto,saboreava um expresso;
pernas cruzadas com postura curvada
viajava em pensamentos dispersos;

resolveu fazer diferente;
saiu da cafeteria sem pressa para chegar;
esqueceu do tempo e enxergou outra rua;
respirou cheiros novos e percebeu que precisava mudar.

sábado, 18 de abril de 2009

Bom dia do Sol.

Dia amanhece com raios ultravioletas entrando pela janela
cama de casal se transforma em uma piscina de sol
corpo coberto de luz, faz as gotas de suor passearem por suas costas
a sensação de desconforto aumenta quando a claridade atinge as retinas
ele rola na cama, muda de posição, tenta proteger os olhos
procura um canto sem luz, mas sua busca pelo conforto foi em vão
o ventilador não ameniza o clima abafado
irritado ele levanta e vai para o chuveiro

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Na

na espera que o contrário se encontre
na vontade de dois títulos se juntarem
na lua sem saber amei você
na verdade, a ausência perturba
na memória guardo uma linda lembrança

domingo, 12 de abril de 2009

Lua.

capaz de ser vista por bilhões de pessoas
e mesmo assim, a sua volta
só existe um céu de solidão

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Meteorologia Natural.

tarde escura de céu nublado
na sala de estar o único som que se ouvia
era o da cigarra que anunciava o calor de amanhã

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Quatro Estações.

outono devastador;
tudo ficou seco;
amor sem energia
parou de respirar;
o inverno congelou
e matou o real sentimento
que uniam os dois cegos;
a substituição de afeto
não suportou o gélido vazio temporal
a primavera chegou com novo ar;
um frescor romântico e fantasioso;
queijos e vinhos em cima da mesa no jardim;
tudo parecia enfeitiçado pela magia da estação;
de repente, os olhos se abriram sobre a mentira;
porre, o único momento sóbrio;
parecia estar adormecido por meses;
no meio das flores se via
transbordando de saudades;
o verão fervia as lembranças;
acordou com o sol no rosto
chorava com o suor do corpo;
queimando a monotonia resolveu procurar a ceguinha;
quando o reencontro aconteceu;
descobriu que a sua ceguinha faleceu.

terça-feira, 31 de março de 2009

O Futuro de Filomena.

sentada no meio fio
assistia a vida passar.
a mão pedia trocados;
olhos não escondiam
a miserável tristeza;
algumas pessoas jogavam moedas
outras ignoravam a pobre senhora
hora do almoço: arroz com feijão
dentro do copo desbotado de mate
trio de dedos sujos coçavam o cabelo;
chuva chegou como mais um transtorno;
ela arrastou o papelão para debaixo da marquise;
pés imundos, unhas negras de sujeira
filomena está com 75 anos de lixeira
e sua única companhia é a fome.

domingo, 29 de março de 2009

Feicon

o anhembi ficou abafado com o quentura demonstrada pela multidão de testas suadas e camisas molhadas

visitantes caminhavam pela feira e se encantavam com a beleza dos estandes

dentro deles, haviam homens engravatados fazendo negócios enquanto comiam canapés

pessoas como eu, andavam arduamente a feicon inteira tentando fazer algum negócio

o ópio da feira foi o estande da lorenzetti que a cada 40 minutos fazia uma apresentação com música pop, mulheres com corpos incríveis que dançavam e brincavam com o chuveiro

quando o espetáculo começava, todos ficavam paralisados olhando a performance das meninas saradas que faziam coreografias sensuais

um show mais do que comercial, uma lavagem cerebral

após o término do espetáculo a dor nas costas voltou

acordando de uma realidade adormecida por dez minutos, segui em frente, em busca de um novo cliente

no final da feicon o saldo foi positivo

fechei um contrato e comprei um aparelho de massagem

segunda-feira, 16 de março de 2009

Quase Tudo Dorme.

com exceção do quarto de sofia
o prédio era só escuridão
aparentemente não se ouvia nada
os vizinhos estavam mergulhados
no mais profundo sono;
silêncio vibrava em seus ouvidos inquietos
sofia estava presa a pensamentos
que não a deixavam dormir;
ela tentou fechar os olhos
mas continuava enxergando;
silenciosamente sofia sofria sozinha
ela havia se afogado na insônia.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Mudança.

lembranças adormecidas
cobertas com um cobertor de poeira;
no fundo da gaveta escura
o silêncio era o barulho do esquecimento;
papéis, fotografias, ingressos de cinema,
cartinhas de amor foram reencontradas, relidas e repensadas;
sentimentos distintos misturados com pensamentos desorganizados
o lixo fora jogado no lixo;
o quarto ficou vazio, que vazio me deu!
no final do dia a minha vida estava toda em caixas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

As vezes cinco segundos faz a diferença.

se abriu a porta do elevador
o espelho via um extenso corredor
e uma pessoa que vinha caminhando lá no fundo
a imagem do homem crescia no vidro
já não se via mais o corredor
a visão do espelho fora tomada
pelo individuo que por pouco conseguiria entrar no elevador
a porta se fechou e o homem perdeu 2 minutos

quarta-feira, 4 de março de 2009

O mundo de Lucas.

lucas tinha 16 anos
e sonhava com os seus 18
ele escondia a imaturidade
debaixo de sua barba que cobria
todo o seu rosto jovem
utilizava de sua expressão mais velha
para fazer coisas de adulto
como beber, fumar e frequentar lugares proibidos

um dia se cansou da barba e decidiu tirá-la
quando acabou de se raspar
lucas se olhou no espelho não se reconhecendo
sentiu-se como um menino bobo e desprotegido
sem notar, esse ato acabou com o seu passaporte adulto
quando percebeu isso, desejava a sua barba de volta
não tem jeito!
lucas vai ter que esperar 1 mês.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Esqueci de Viver.

não tenho nada a oferecer

parei no tempo e não percebi

agora já é tarde para fazer transparecer

tudo aquilo que já passou e o quanto sofri



talvez por medo não queria ver o futuro

eu tive tudo mas me apeguei ao nada

como um adulto inexperiente, vivi como um menino imaturo

morava na insegurança de errar e de ser punido por tentar



eu já tentei fugir do presente, mergulhando na banalidade

vivi tantos personagens que não sei mais quem ser

preenchi o tempo sonhando e menosprezando a realidade

me ocupei com coisas imbecis e esqueci de viver



eu até tinha planos, mas não corri atrás de nada

para mim, sempre quis o melhor

minha vida foi uma grande palhaçada

por isso hoje vivo na pior



o tempo foi o meu maior inimigo

na grande luta, ele derrotou o meu ser

e mais uma vez me fez crer

que perdi uma vida sem viver



o entretenimento cuidou de mim

e mesmo sem eu perceber

ele tirou todo o meu conhecimento

e me fez esquecer de viver

domingo, 1 de março de 2009

Um Shot

Imortalize sentimentos
Transcenda o físico
Não se adapte
Incorpore
Respire

Entregue-se ao amor
Deixe-se envolver
Feche os olhos
Imagine
Enjoy


Mergulhe no desconhecido
Não seja refém do medo
Surpreenda-se
Permita-se
Viver

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Ótica do Desejo

na cesta de palha
havia um único pão francês;
olhos maquiavélicos
arquitetavam o futuro.
o pão não demorou
para ser raptado.
delicadamente as mãos o rasgavam;
a faca pincelava de requeijão o pão;
abriu-se a ansiosa boca nervosa;
fenômeno que provocou uma chuva de farelos
que repousaram dentro do prato
como um quadro que simbolizava
a morte do pão.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Aviso.

lucas queria ser mais menino
para expressar desejos e anseios sem pudor
falar sem pensar e não
viver uma vida para fugir de um amor.

preso a seus sentimentos
que viajam para todos os cantos
de sua existência
repleta de prantos

o medo fez ele escolher
a timidez que o levou para escuridão
um caminho sem volta
para o poço da solidão

o único fósforo acesso
iluminou o ambiente por tempo limitado
até queimar o dedo de lucas
que de susto acordou aliviado

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Malbec .

A cor dava personalidade
Não agüento mais ficar sem TV
A casa da Francisca estava fora de controle
Vi da sombria rua sem saída
Discussão agressiva foi o fim da picada
Francisca arrumou as mágoas em malas
Eleva dor no elevador as malas empilhadas
Rosto vermelho de tanto chorar
Vi o lento taxista furando o sinal vermelho
Chega da ausência marcada
Salda de afeto a volta de Francisca
Ela foi parar na cama da família

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Viagem da Folha.

folha seca de cor vermelha
desprendeu-se dos galhos;
flutuava sem pressa;
até repousar no chão frio;
descansando sobre a pedra branca
assistia o céu mudar de cor;
presenciou um casal apaixonado
trocando afetos debaixo da árvore;
todo dia via as mesmas pessoas
caminhando no mesmo horário;
sua vida parecia ser sempre igual;
uma monotonia sem fim;
Repentinamente, tudo mudou.
a brisa bateu e a folha voou;
viajava de carona com o vento
folha admirou prédios, parques, igrejas.
vento a deixou no pátio de uma escola
o colégio foi sua nova casa por muito tempo
a folha decorou todas as campainhas dos recreios;
Ouvia gritos eufóricos de crianças felizes;
a brisa voltou a bater forte;
ela foi obrigada a se despedir da escola;
a caminho de mais uma viagem
a folha seguiu a sua vida.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Cansaço gripal em dia monótono.

espreguiçar o corpo preguiçoso
nariz entupido puxa o ar
espirros e fungadas
a coisa mais contagiante
do dia foi um bocejo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Argentina perdida.

no Antiquário só havia um senhor
com poucos cabelos brancos e barriga abundante
ele estava sentado em uma cadeira de madeira
inquieto não parava de balançar as pernas
seus olhos expressavam melancolia e falta de esperança
sozinho com seus pensamentos parecia esperar o tempo passar.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sensorial.

andar pela rua ouvindo música
é um novo hábito;
os sentidos ficam mais apurados
sinto-me parte de um vídeo clipe
criado pela sinergia do som;
uma fábula fantasiada, lúcida,
dentro de um cenário real.
cada música faz nascer
um novo personagem;
alegre, triste, tímido, humilde
cheio de poses e caretas;
ando,danço,corro,canto
interajo com a rua.
pulo gelos baianos;
piso somente dentro dos quadrados de cor branca
brinco de me equilibrar no meio fio;
viro menino,adulto,velho,artista,mauricinho;
sinto como se fizesse parte de vários musicais.
me emociono com pessoas e suas atitudes;
enquanto caminho, vejo tudo acontecendo
e ficando para trás.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Jujuba.

no pote de jujubas coloridas
ela pegava somente as vermelhas
quando comia cada uma delas
fechava os olhos

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Cinema

Pipoca na mão, coca na outra
Ombro apoiando o celular
Andando, falando e pensando
Cadê o ingresso?

Bairro Melancólico.

Na rua tudo é lembrança;
O passado vem à tona e faz a lágrima rolar;
Pelo visto, a saudade não vai embora nunca!
Até quando será uma dor passar lá?
Ali está enterrado um pedaço meu;
Toda vez que passo no bairro fico melancólico
A anestesia para de fazer efeito
e a cicatriz se abre novamente em ferida.
Copacabana dói.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Efeito Calor.

o relógio de rua aponta 37 graus;
na cafeteria, a elegante senhora de cabelos pintados
se abana com o leque e reclama do calor.

o comerciante transpira no dia quente de verão
ele tira do bolso de sua camisa florida
um paninho que usa para enxugar a sua testa.

a obra segue a todo vapor;
britadeiras perfuram o concreto
causando um barulho ensurdecedor.

no boteco pé sujo, perto da faculdade
os amigos se reúnem em mesas de lata
para brindar o calor com um chopp gelado.


rapidamente o tempo muda, deixando o céu acinzentado.
o menino andava na rua a espera da chuva
quando ela chegou ele a recebeu de braços abertos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Não confunda João Baptista com José Baptista.

João Baptista tem muitos mas José Baptista só um.
Um homem com manias distintas.
Todo dia após o almoço, ele compra o jornal e vai andando pela rua. Simultaneamente, enquanto anda, ele lê as notícias até chegar ao escritório.
Quando chega em seu ambiente de trabalho, Zé não pode ver nada fora do lugar que quer logo arrumar.
Sempre brincando com todos com seu excelente senso de humor, ele cria um ambiente sinérgico, onde, todos interagem.
Apesar de suas manias, é o melhor chefe que já tive.
José não é somente um diretor, ele é também um professor. Nunca vi alguém com tanta naturalidade dar aula de caráter, bom senso, humildade, até para brigar ele tem uma postura respeitadora e delicada.
Sem dúvida, uma pessoa cativante, criativa, amiga e um excelente profissional!
Baptista tem a arte do contrato, ele é tão bom que vende até areia na praia, seja em projeto cooperado, especial, Sand Expo, isso não importa!
Concluído, não tenho palavras suficientes para agradecer tudo o que você me ensinou a ser.
Espero não perder o contato com alguém que tanto admiro e me espelho.
Com uma enorme gratidão,

Luis Sapir

domingo, 25 de janeiro de 2009

Da Janela.

Da janela enxergo pelo menos outras cem.
O maconheiro do andar abaixo, quando fuma seu bagulho,
deixa meu quarto fedendo a maconha. As vezes pego uma marola.
Tem um vizinho que comprou uma bateria há pouco tempo.
Ainda bem que não sei quem ele é! Se não iria bater com a cabeça dele na bateria.
No outro andar, a diarista ouvia e cantava música sertaneja enquanto preparava o almoço.
Quando vejo um vizinho vendo televisão, fico tentando adivinhar o que ele está vendo
Ligo a minha TV e troco de canal até achar a mesma imagem dele
Se a tela estiver verde, pode ter certeza que é o futebol.
Uma vez me enganei! Não tinha nenhum futebol passando na televisão!
Ele estava vendo um jogo de golfe. Quem vê jogo de golfe?
Tem que ser alguém muito chato para achar um jogo de golfe interessante!
Vejo varandas com cadeiras de plástico, espreguiçadeiras, bicicletas, redes e plantas
Tem um apartamento com uma cortina roxa. O bom gosto mandou lembranças!
A empregada pendura as roupas no varal, apaga a luz e some dos meus olhos
Outro dia vi uma mulher enrolada até a cabeça em toalhas brancas, ela foi até a varanda e regou as plantas.
Pela manhã o play fica cheio de babás com roupas brancas brincando com as crianças no sol;
O salva-vidas observa de braços cruzados, a única pessoa nadando na piscina.
Janelas iluminadas, apagadas, enfeitadas com luzes de natal, bandeiras do Flamengo e fotos de políticos em período eleitoral.
Um cheiro delicioso invade o meu quarto! Tem alguém cozinhando algo cheiroso!
Nessas horas seria bom ser mais diplomático com as pessoas!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Hoy Temprano.

Cara amassada vai andando em direção ao banho quente.
Confortante é a água caindo sobre o corpo.
Status atual é a transição do acordado com o dormindo.
Chuveiro desligado, toalha branca enrolada na cintura, chinelo no pé vai até a cozinha.
Bota água no fogo e vai se arrumar.
Desodorante, Jeans, camisa listrada e All Star.
Correndo, volta para cozinha e derrama a água fervendo no pó de café.
Enquanto o café vai passando, abre a porta e pega o jornal.
O cheiro de café é confortante!
Caneca, bule, adoçante e colherzinha, mesa posta.
Café, leite e jornal, tudo em sintonia.
O relógio aponta 5 minutos, a leitura passa a ser apressada.
Pasta na escova e pia ligada. Olhada no visual, cabelo acertado, careta no espelho.
Perfume no corpo, celular, chave e carteira no bolso.
Por fim, mochila nas costas em seguida, a porta se fechou.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Entre Olhos



empurrada 
pelas 
amigas
você 
esbarrou 
em 
mim

durante
um
segundo
ficamos
entre
olhos


sorrimos
nos
cumprimentamos
e
nunca
mais
nos
vimos


se 
no 
seu 
sobrenome
tiver 
alguma 
referência
a
lua, 
esse 
poema
pode 
ser 
para 
você


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Outubro Sensível.

queria passear no meu passado
para apagar tudo que fiz de errado;
desenharia em cima das incógnitas
janelonas e as deixaria escancaradas
a espera da brisa que traria de volta
o afeto.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Pique Esconde.

Pique esconde
Todo dia preciso jogar
Atrás de uma máscara escondo a tristeza
Com um sorriso no rosto e risadas não demonstro a fraqueza
Eu não escolhi a solidão, foi ela que me escolheu
A falta de afeto me faz chorar e enxergar o tamanho da minha dor
Eu também quero brincar de ser feliz por favor!
Assim como no pique esconde, saio a procura de alguém.
Procuro você que possa acabar com todo o meu sofrer
E fazer o sentimento que um dia faltou transbordar Por todo os meus dias.
Pique um dois trés Felicidades e alegrias!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Chuva.

chuva chega sem avisar;
rua voluntários da pátria ficou agitada;
pessoas caminharam para baixo das marquises;
ônibus passavam levantando uma poeira de água;
muitos pedestres foram presenteados pisando em uma poça minada;
surgiram vendedores de guarda chuva;
o porteiro cabeludo apenas assistia;
as vezes passava um louco correndo;
Preocupada a patricinha protegeu seu cabelo de chapinha;
na casa de sucos, o gordinho devorava um pastel;
Carros enfileirados em um trânsito caótico
limpadores de pára-brisas ligados;
Surge um guarda de trânsito com seu apito irritante;
Apoiada na janela do quarto andar, a senhora fumava um cigarro;
Debaixo do cobertor, o casal dorme ao som de raios e trovões;
Encerrando com o delicioso cheiro de chuva

sábado, 10 de janeiro de 2009

Uma história.

Uma escolha difícil, uma decisão errada, uma discussão, um não, um tempo perdido, uma reunião, um problema, uma luz, uma solução, um encontro, um desejo, uma expectativa, um jantar, um pene carbonara, um vinho tinto, uma conversa encantadora, uma aproximação, um clima, um pegar na mão, uma troca de olhares, um beijo delicado, uma noite romântica,um sono agarrado, um despertar, uma tarde nublada, um travesseiro solitário, uma surpresa, um café na cama, uma felicidade, uma abraço, um chamego, um bom começo de dia.

Uma dor, um espectador, uma vitória, um pedido, uma mãe preocupada, um pai emocionado, uma comédia, um show lotado, uma lua cheia, um respeito, umas palavras, uns conselhos, uma rua vazia e escura, um barulho, um farol, uma música, um bar, uma partida de sinuca, um cigarro, uma bola encaçapada, “uma cerveja por favor!”

Um esquecimento, uma lembrança, uma confusão, um soco, uns gritos, um olho roxo, uma raiva, uma arma, um desespero, um grito de mulher, um bêbado descontrolado, um disparo, um copo quebrado, um sangue no peito, uma sirene de ambulância, um socorro, uma maca, umas vozes, uma pressão, um hospital, uma cama de rodinhas, umas pessoas de branco, um adormecer, uma cirurgia,um descanso, uma recuperação, uma volta para casa,uma página virada.

Uma percepção, uma corrida, um último lugar, uma banho quente, um sabonete de eucalipto, um corpo molhado, uma toalha seca, uma cabelo molhado, uma carta, uma leitura, uma chegada, um primo querido, uma promessa, um trabalho, um sorriso, uma piada, uma euforia, um aprendizado, uma confiança, uma mentira descarada, um calo no pé, uma reclamação, um tango, uma herança, um,dois, três, quatro anos de espera.

Uma década de acontecimentos, uma gravidez, uma preparação, um choro, uma chegada, uma filha, um amor infinito, um colo, um cachorro, uma família, uma casa, um par de chinelos, um bocejo, um carro, um cd, um trompete, um catarro, um lenço, uma meleca, uma verão inesquecível, um chuva, um trovão, um carnaval, um final de um parágrafo.


Um sofá azul, uma TV, um canal, um jogo de futebol, um feijão no fogo, uma vizinha assanhada, um caroço de azeitona, uma mulher desconfiada, uma briga enciumada, uma geladeira aberta, uma tábua levantada, uma cortina marfim, um telefonema, um suspense, uma resposta, uma caminho, uma moeda de um real no chão, um dia de sorte, um Fim de texto inesperado.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O Cômodo gera o Incomodo que gera o Cômico e que quase gerou o Ridículo.

O cômodo virou o incomodo. Era evidente que ia dar errado.
Às vezes a comodidade faz com que eu faça coisas imbecis!
Ontem eu comprei uma Coca-Cola na faculdade, o balconista da cantina me deu a lata de refrigerante, um copo de plástico repleto de gelo até a boca e um canudo.
Sentei no banquinho do jardim e quando abri a lata, a espuma subiu como um chafariz melecando a minha mão de coca. “Merda!” Eu pensei.
O canudo estava na lata, e na hora em que eu fui passar a coca para o copo, o evidente ocorreu! O refrigerante se refugiou no canudo no intuito de não cair no copo, logo caiu na minha bermuda que ficou com uma mancha. Dessa vez eu sussurrei “ Merda!”
Mais atrapalhado impossível?
Não!
Quando acabei de beber, arremessei a latinha de refrigerante na lata de lixo, a minha intenção era de fazer uma cesta e não precisar levantar. Evidentemente, a lata bateu no lixo e caiu no chão. O chato foi que eu estava com uma mochila nas costas, uma pasta na mão e também segurava a minha bermuda com uma das mãos que caia porque eu tinha emagrecido 11 quilos. Foi um período complicado porque todas as roupas que eu colocava ficavam caindo. Resumindo, no que abaixei para pegar a lata, a pasta caiu a e a bermuda ficou por um fio. Por fim gritei “MERDA!”


Safra de 2005
Fato verídico ocorrido e escrito no dia 20/05/2005

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A Fúria do Sono.

andava exausto;
cabeça explodia de dor
pernas, braços e pescoço.
também estavam doloridos;
Sentia o corpo pesado;
olhos pequeninos;
vontade de se espreguiçar
numa cama macia
com lençol cheiroso
travesseiro aconchegante.
acabou adormecendo em pé
sem enxergar o seu corpo despencando
ele abraçou o chão.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

MALDITO COPO MALDITO SONO MALDITO RONCO.

De madrugada, no computador do quarto do meu irmão que estava dormindo.


Comecei a ficar com sono! Eu virei o restinho de coca-cola que havia no copo, desliguei o computador e levantei da cadeira barulhenta.



Quando estava quase saindo do quarto vi aquele copo sozinho que havia ficado como a testemunha que o José ronca.


Não achava justo o José dormir com o copo observando ele, decidi levar o copo até a cozinha


O quarto estava escuro, a única luz acesa vinha do abajur e mesmo assim era muito fraca a iluminação!



Cheguei a pensar em acender a luz para poder levar o copo com uma maior segurança, só que resolvi não acender para não acordar o meu irmão.



Eu me senti seguro porque achei que conhecia bem o quarto e nada poderia dar errado.



Peguei o copo e fui andando no meio da escuridão, eu não via nada, sabia que a porta estava perto.



Quando tropecei no patinete, perdi o equilíbrio e esbarrei o copo na parede, deixando o copo cairr e quebrar em mil pedacinhos.



No momento da queda, eu ainda tentei salvar a vida do copo usando o meu tênis para amortecer o impacto, mas não funcionou!

Pelo visto o meu jeito estabanado assassinou o copo.



No momento que ouvi o barulho do vidro quebrando, tive a reação de qualquer ser humano gritando 'PUTA QUE PARIU!"



Depois me lembrei que me irmão estava dormindo e me arrependi do grito! Fiquei em silêncio cinco segundos e ouvi o ronco dele, por incrível que pareça ele não acordou.



Chegando a conclusão que o sono dele é hiper pesado, decidi ligar a luz e ver como iria fazer para juntar os cacos.


Quando liguei a luz que realmente pude ver o tamanho do estrago! Havia cacos para todos os lados parecia que tinha se formado uma cidade de caquinhos filhas da putinha!

O copo não tinha mais formato a destruição foi completa!

Diante desse conflito inusitado, mais uma vez disse " PUTA QUE O PARIU!"

Morrendo de sono fui até a cozinha pegar uma vassoura e uma pá.

Coloquei as mãos a cabeça em desespero por não encontrar a maldita pá e sua desgraçada vassoura! Fui perdendo o meu humor e ficando mais ansioso.

Movido pelo sono, cometi um ato no qual tenho vergonha. Voltei para o quarto do José, peguei uma toalha que vi por perto e juntei a maior quantidade de vidro e fiz chuva de vidro. Joguei os vidros pela janela. Foi um ato criminoso e egoísta! No meio da minha ação criminosa, me arrependi e desisti de terminar a execução desse plano para me safar da limpeza. Eu não sei se por sorte ou por azar, ainda tinha 80% do copo no chão.


Para completar o serviço já iniciado, utilizei uma segunda técnica parecida com a primeira



Só que sem toalha, dessa vez peguei um pano de chão e levei até o lixo, fiz isso várias vezes, mas mesmo assim, ainda tinha muito vidro. Foi então, que eu apelei para a terceira técnica de limpeza.

A Terceira Técnica trata-se do foda-se! Comecei a jogar os caquinhos filha da putinhas para atrás da porta e foda-se porque eu quero dormir!
É incrível que todo esse evento ocorreu em harmonia com os roncos do jovem José.



Enfim, fui dormir.



The End

PS: Isso ocorreu em Maio de 2005. Não adianta eu tentar diminuir o tamanho da minha irresponsabilidade porque eu já era maior de idade!

A Chegada.

cabelo liso escuro;
levemente molhado
até o pescoço;
ela não é alta;
possui uma pele clara;
um nariz interessante;
parecia sensível e delicada
como uma boneca de gesso.
em suas mãos uma cesta verde
onde transportava suas coisas;
outra pessoa entrou no plano:
menino alto de cabelo encaracolado
óculos fundinho de garrafa.
ele veio apenas para ligar o computador
cumpriu o seu objetivo e se foi.
ela arrumava sua nova mesa;
prendia taxinhas com lembretes;
ainda em processo de ambientação;
enquanto isso, meus olhos encantados
a filmavam discretamente
na minha própria memória.