terça-feira, 30 de junho de 2009

Depois do Filme.

na sala escura
se espreguiçou
diante da tela
que exibia créditos

saiu do cinema
ainda acordando
do filme que viu
andava meio esquecido

seus olhos castanhos
estranharam a luz
lembrou-se que precisava
ir ao banheiro

domingo, 28 de junho de 2009

Em Uma Dessas Casas.

era possível
ver os rostos
quando a luz branca
piscava ferozmente
música alta e incômoda


a mulher feia
andava sozinha
ela sorria
para todos os homens
que conseguisse enxergar


fumaça do cigarro
fazia os olhos arderem
na noite, a educação
se perdeu nos empurrões
definitivamente,


não gosto de boates

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Moleque.

naquela época me achava esperto,
apertava todos botões do elevador,
tocava campainha e saia correndo
me sentia a criança mais forte do mundo
depois de um copo de nescau.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Caminhando.

é noite no centro
eu sigo caminhando
por ruas estreitas
carla bruni sussurra
nos meus ouvidos
canções de amor
chão de Paralelepípedo
sobradinho azul
descascando em abandono
mergulho em ruas vazias
com edifícios altos
em meio aos prédios
é possível enxergar
um recorte do céu

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Dá até para imaginar.

dormi na casa
de uma pessoa
que não conheço
um apartamento
decorado de objetos
que expressam
os seus gostos

pude observar
que aprecia
os filmes
do hitchcock
além de ser
viciado em pastilhas
de after eight

parece que ele
costuma pedalar
com sua bicicleta
que fica pendurada
no alto da parede
de um quarto vazio
aparentemente, sem dono

eu até imagino
o dono da casa
um senhor magro
de pele envelhecida
cabelos grisalhos
e um sorriso imenso
que não cabe na boca

sábado, 20 de junho de 2009

Túnel

asfalto áspero é
esmagado por rodas
de carros e ônibus.

atravessam a iluminada
montanha perfurada
que divide a cidade.

os destinos infinitos
levam a milhões de universos
individuais

terça-feira, 16 de junho de 2009

Registro.

ali as paredes
são cobertas
por quadros
móveis antigos
preenchem a sala
um abajur quebrado
divide o espaço com
portas retratos espalhados
na mesinha de madeira
não esqueço dos tapetes
eu sempre tropeçava neles

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Raivinha.

olhos fechados;
deitado na cama
enrolado no cobertor
quase dormindo
quando o inseto voador
resolveu visitar
o meu ouvido;
seu barulho
denunciou a sua
quase chegada;
levei um susto;
escondi minhas orelhas
volumosas desse
mosquito desabrigado
e antes de dormir
eu pensei
será que os mosquitos
não dormem?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Visita inesperada.

ao abrir a cortina
a luz entrou;
uma convidada folgada
que foi se espalhando
por todo quarto.

domingo, 7 de junho de 2009

Finalmente.

entrou no quarto
tirou a mochila
das costas;
sentou na cama
respirou fundo
e finalmente
tirou os sapatos.

Rascunho de Sonhos.

tudo aconteceu
nos rascunho de papel;
borracha apagou
expectativas falsas;
por cima do vazio
o lápis fez desenhos
que traduzem melhor
os seus novos sonhos.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Perna de Pau.

futebol no prédio;
ao chutar a bola
seu chinelo voou
em direção a janela
que se quebrou.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Como pode?

ela tem a mania de fazer
várias coisas ao mesmo tempo;
outro dia escovando os dentes
no sofá enquanto via televisão;
não sei por que diabos
ela insiste de simultaneamente
enquanto fala no telefone comigo
conversa com resto do mundo no msn.