quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Ótica do Desejo

na cesta de palha
havia um único pão francês;
olhos maquiavélicos
arquitetavam o futuro.
o pão não demorou
para ser raptado.
delicadamente as mãos o rasgavam;
a faca pincelava de requeijão o pão;
abriu-se a ansiosa boca nervosa;
fenômeno que provocou uma chuva de farelos
que repousaram dentro do prato
como um quadro que simbolizava
a morte do pão.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Aviso.

lucas queria ser mais menino
para expressar desejos e anseios sem pudor
falar sem pensar e não
viver uma vida para fugir de um amor.

preso a seus sentimentos
que viajam para todos os cantos
de sua existência
repleta de prantos

o medo fez ele escolher
a timidez que o levou para escuridão
um caminho sem volta
para o poço da solidão

o único fósforo acesso
iluminou o ambiente por tempo limitado
até queimar o dedo de lucas
que de susto acordou aliviado

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Malbec .

A cor dava personalidade
Não agüento mais ficar sem TV
A casa da Francisca estava fora de controle
Vi da sombria rua sem saída
Discussão agressiva foi o fim da picada
Francisca arrumou as mágoas em malas
Eleva dor no elevador as malas empilhadas
Rosto vermelho de tanto chorar
Vi o lento taxista furando o sinal vermelho
Chega da ausência marcada
Salda de afeto a volta de Francisca
Ela foi parar na cama da família

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Viagem da Folha.

folha seca de cor vermelha
desprendeu-se dos galhos;
flutuava sem pressa;
até repousar no chão frio;
descansando sobre a pedra branca
assistia o céu mudar de cor;
presenciou um casal apaixonado
trocando afetos debaixo da árvore;
todo dia via as mesmas pessoas
caminhando no mesmo horário;
sua vida parecia ser sempre igual;
uma monotonia sem fim;
Repentinamente, tudo mudou.
a brisa bateu e a folha voou;
viajava de carona com o vento
folha admirou prédios, parques, igrejas.
vento a deixou no pátio de uma escola
o colégio foi sua nova casa por muito tempo
a folha decorou todas as campainhas dos recreios;
Ouvia gritos eufóricos de crianças felizes;
a brisa voltou a bater forte;
ela foi obrigada a se despedir da escola;
a caminho de mais uma viagem
a folha seguiu a sua vida.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Cansaço gripal em dia monótono.

espreguiçar o corpo preguiçoso
nariz entupido puxa o ar
espirros e fungadas
a coisa mais contagiante
do dia foi um bocejo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Argentina perdida.

no Antiquário só havia um senhor
com poucos cabelos brancos e barriga abundante
ele estava sentado em uma cadeira de madeira
inquieto não parava de balançar as pernas
seus olhos expressavam melancolia e falta de esperança
sozinho com seus pensamentos parecia esperar o tempo passar.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sensorial.

andar pela rua ouvindo música
é um novo hábito;
os sentidos ficam mais apurados
sinto-me parte de um vídeo clipe
criado pela sinergia do som;
uma fábula fantasiada, lúcida,
dentro de um cenário real.
cada música faz nascer
um novo personagem;
alegre, triste, tímido, humilde
cheio de poses e caretas;
ando,danço,corro,canto
interajo com a rua.
pulo gelos baianos;
piso somente dentro dos quadrados de cor branca
brinco de me equilibrar no meio fio;
viro menino,adulto,velho,artista,mauricinho;
sinto como se fizesse parte de vários musicais.
me emociono com pessoas e suas atitudes;
enquanto caminho, vejo tudo acontecendo
e ficando para trás.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Jujuba.

no pote de jujubas coloridas
ela pegava somente as vermelhas
quando comia cada uma delas
fechava os olhos

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Cinema

Pipoca na mão, coca na outra
Ombro apoiando o celular
Andando, falando e pensando
Cadê o ingresso?

Bairro Melancólico.

Na rua tudo é lembrança;
O passado vem à tona e faz a lágrima rolar;
Pelo visto, a saudade não vai embora nunca!
Até quando será uma dor passar lá?
Ali está enterrado um pedaço meu;
Toda vez que passo no bairro fico melancólico
A anestesia para de fazer efeito
e a cicatriz se abre novamente em ferida.
Copacabana dói.