quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Efeito Calor.

o relógio de rua aponta 37 graus;
na cafeteria, a elegante senhora de cabelos pintados
se abana com o leque e reclama do calor.

o comerciante transpira no dia quente de verão
ele tira do bolso de sua camisa florida
um paninho que usa para enxugar a sua testa.

a obra segue a todo vapor;
britadeiras perfuram o concreto
causando um barulho ensurdecedor.

no boteco pé sujo, perto da faculdade
os amigos se reúnem em mesas de lata
para brindar o calor com um chopp gelado.


rapidamente o tempo muda, deixando o céu acinzentado.
o menino andava na rua a espera da chuva
quando ela chegou ele a recebeu de braços abertos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Não confunda João Baptista com José Baptista.

João Baptista tem muitos mas José Baptista só um.
Um homem com manias distintas.
Todo dia após o almoço, ele compra o jornal e vai andando pela rua. Simultaneamente, enquanto anda, ele lê as notícias até chegar ao escritório.
Quando chega em seu ambiente de trabalho, Zé não pode ver nada fora do lugar que quer logo arrumar.
Sempre brincando com todos com seu excelente senso de humor, ele cria um ambiente sinérgico, onde, todos interagem.
Apesar de suas manias, é o melhor chefe que já tive.
José não é somente um diretor, ele é também um professor. Nunca vi alguém com tanta naturalidade dar aula de caráter, bom senso, humildade, até para brigar ele tem uma postura respeitadora e delicada.
Sem dúvida, uma pessoa cativante, criativa, amiga e um excelente profissional!
Baptista tem a arte do contrato, ele é tão bom que vende até areia na praia, seja em projeto cooperado, especial, Sand Expo, isso não importa!
Concluído, não tenho palavras suficientes para agradecer tudo o que você me ensinou a ser.
Espero não perder o contato com alguém que tanto admiro e me espelho.
Com uma enorme gratidão,

Luis Sapir

domingo, 25 de janeiro de 2009

Da Janela.

Da janela enxergo pelo menos outras cem.
O maconheiro do andar abaixo, quando fuma seu bagulho,
deixa meu quarto fedendo a maconha. As vezes pego uma marola.
Tem um vizinho que comprou uma bateria há pouco tempo.
Ainda bem que não sei quem ele é! Se não iria bater com a cabeça dele na bateria.
No outro andar, a diarista ouvia e cantava música sertaneja enquanto preparava o almoço.
Quando vejo um vizinho vendo televisão, fico tentando adivinhar o que ele está vendo
Ligo a minha TV e troco de canal até achar a mesma imagem dele
Se a tela estiver verde, pode ter certeza que é o futebol.
Uma vez me enganei! Não tinha nenhum futebol passando na televisão!
Ele estava vendo um jogo de golfe. Quem vê jogo de golfe?
Tem que ser alguém muito chato para achar um jogo de golfe interessante!
Vejo varandas com cadeiras de plástico, espreguiçadeiras, bicicletas, redes e plantas
Tem um apartamento com uma cortina roxa. O bom gosto mandou lembranças!
A empregada pendura as roupas no varal, apaga a luz e some dos meus olhos
Outro dia vi uma mulher enrolada até a cabeça em toalhas brancas, ela foi até a varanda e regou as plantas.
Pela manhã o play fica cheio de babás com roupas brancas brincando com as crianças no sol;
O salva-vidas observa de braços cruzados, a única pessoa nadando na piscina.
Janelas iluminadas, apagadas, enfeitadas com luzes de natal, bandeiras do Flamengo e fotos de políticos em período eleitoral.
Um cheiro delicioso invade o meu quarto! Tem alguém cozinhando algo cheiroso!
Nessas horas seria bom ser mais diplomático com as pessoas!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Hoy Temprano.

Cara amassada vai andando em direção ao banho quente.
Confortante é a água caindo sobre o corpo.
Status atual é a transição do acordado com o dormindo.
Chuveiro desligado, toalha branca enrolada na cintura, chinelo no pé vai até a cozinha.
Bota água no fogo e vai se arrumar.
Desodorante, Jeans, camisa listrada e All Star.
Correndo, volta para cozinha e derrama a água fervendo no pó de café.
Enquanto o café vai passando, abre a porta e pega o jornal.
O cheiro de café é confortante!
Caneca, bule, adoçante e colherzinha, mesa posta.
Café, leite e jornal, tudo em sintonia.
O relógio aponta 5 minutos, a leitura passa a ser apressada.
Pasta na escova e pia ligada. Olhada no visual, cabelo acertado, careta no espelho.
Perfume no corpo, celular, chave e carteira no bolso.
Por fim, mochila nas costas em seguida, a porta se fechou.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Entre Olhos



empurrada 
pelas 
amigas
você 
esbarrou 
em 
mim

durante
um
segundo
ficamos
entre
olhos


sorrimos
nos
cumprimentamos
e
nunca
mais
nos
vimos


se 
no 
seu 
sobrenome
tiver 
alguma 
referência
a
lua, 
esse 
poema
pode 
ser 
para 
você


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Outubro Sensível.

queria passear no meu passado
para apagar tudo que fiz de errado;
desenharia em cima das incógnitas
janelonas e as deixaria escancaradas
a espera da brisa que traria de volta
o afeto.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Pique Esconde.

Pique esconde
Todo dia preciso jogar
Atrás de uma máscara escondo a tristeza
Com um sorriso no rosto e risadas não demonstro a fraqueza
Eu não escolhi a solidão, foi ela que me escolheu
A falta de afeto me faz chorar e enxergar o tamanho da minha dor
Eu também quero brincar de ser feliz por favor!
Assim como no pique esconde, saio a procura de alguém.
Procuro você que possa acabar com todo o meu sofrer
E fazer o sentimento que um dia faltou transbordar Por todo os meus dias.
Pique um dois trés Felicidades e alegrias!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Chuva.

chuva chega sem avisar;
rua voluntários da pátria ficou agitada;
pessoas caminharam para baixo das marquises;
ônibus passavam levantando uma poeira de água;
muitos pedestres foram presenteados pisando em uma poça minada;
surgiram vendedores de guarda chuva;
o porteiro cabeludo apenas assistia;
as vezes passava um louco correndo;
Preocupada a patricinha protegeu seu cabelo de chapinha;
na casa de sucos, o gordinho devorava um pastel;
Carros enfileirados em um trânsito caótico
limpadores de pára-brisas ligados;
Surge um guarda de trânsito com seu apito irritante;
Apoiada na janela do quarto andar, a senhora fumava um cigarro;
Debaixo do cobertor, o casal dorme ao som de raios e trovões;
Encerrando com o delicioso cheiro de chuva

sábado, 10 de janeiro de 2009

Uma história.

Uma escolha difícil, uma decisão errada, uma discussão, um não, um tempo perdido, uma reunião, um problema, uma luz, uma solução, um encontro, um desejo, uma expectativa, um jantar, um pene carbonara, um vinho tinto, uma conversa encantadora, uma aproximação, um clima, um pegar na mão, uma troca de olhares, um beijo delicado, uma noite romântica,um sono agarrado, um despertar, uma tarde nublada, um travesseiro solitário, uma surpresa, um café na cama, uma felicidade, uma abraço, um chamego, um bom começo de dia.

Uma dor, um espectador, uma vitória, um pedido, uma mãe preocupada, um pai emocionado, uma comédia, um show lotado, uma lua cheia, um respeito, umas palavras, uns conselhos, uma rua vazia e escura, um barulho, um farol, uma música, um bar, uma partida de sinuca, um cigarro, uma bola encaçapada, “uma cerveja por favor!”

Um esquecimento, uma lembrança, uma confusão, um soco, uns gritos, um olho roxo, uma raiva, uma arma, um desespero, um grito de mulher, um bêbado descontrolado, um disparo, um copo quebrado, um sangue no peito, uma sirene de ambulância, um socorro, uma maca, umas vozes, uma pressão, um hospital, uma cama de rodinhas, umas pessoas de branco, um adormecer, uma cirurgia,um descanso, uma recuperação, uma volta para casa,uma página virada.

Uma percepção, uma corrida, um último lugar, uma banho quente, um sabonete de eucalipto, um corpo molhado, uma toalha seca, uma cabelo molhado, uma carta, uma leitura, uma chegada, um primo querido, uma promessa, um trabalho, um sorriso, uma piada, uma euforia, um aprendizado, uma confiança, uma mentira descarada, um calo no pé, uma reclamação, um tango, uma herança, um,dois, três, quatro anos de espera.

Uma década de acontecimentos, uma gravidez, uma preparação, um choro, uma chegada, uma filha, um amor infinito, um colo, um cachorro, uma família, uma casa, um par de chinelos, um bocejo, um carro, um cd, um trompete, um catarro, um lenço, uma meleca, uma verão inesquecível, um chuva, um trovão, um carnaval, um final de um parágrafo.


Um sofá azul, uma TV, um canal, um jogo de futebol, um feijão no fogo, uma vizinha assanhada, um caroço de azeitona, uma mulher desconfiada, uma briga enciumada, uma geladeira aberta, uma tábua levantada, uma cortina marfim, um telefonema, um suspense, uma resposta, uma caminho, uma moeda de um real no chão, um dia de sorte, um Fim de texto inesperado.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O Cômodo gera o Incomodo que gera o Cômico e que quase gerou o Ridículo.

O cômodo virou o incomodo. Era evidente que ia dar errado.
Às vezes a comodidade faz com que eu faça coisas imbecis!
Ontem eu comprei uma Coca-Cola na faculdade, o balconista da cantina me deu a lata de refrigerante, um copo de plástico repleto de gelo até a boca e um canudo.
Sentei no banquinho do jardim e quando abri a lata, a espuma subiu como um chafariz melecando a minha mão de coca. “Merda!” Eu pensei.
O canudo estava na lata, e na hora em que eu fui passar a coca para o copo, o evidente ocorreu! O refrigerante se refugiou no canudo no intuito de não cair no copo, logo caiu na minha bermuda que ficou com uma mancha. Dessa vez eu sussurrei “ Merda!”
Mais atrapalhado impossível?
Não!
Quando acabei de beber, arremessei a latinha de refrigerante na lata de lixo, a minha intenção era de fazer uma cesta e não precisar levantar. Evidentemente, a lata bateu no lixo e caiu no chão. O chato foi que eu estava com uma mochila nas costas, uma pasta na mão e também segurava a minha bermuda com uma das mãos que caia porque eu tinha emagrecido 11 quilos. Foi um período complicado porque todas as roupas que eu colocava ficavam caindo. Resumindo, no que abaixei para pegar a lata, a pasta caiu a e a bermuda ficou por um fio. Por fim gritei “MERDA!”


Safra de 2005
Fato verídico ocorrido e escrito no dia 20/05/2005

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A Fúria do Sono.

andava exausto;
cabeça explodia de dor
pernas, braços e pescoço.
também estavam doloridos;
Sentia o corpo pesado;
olhos pequeninos;
vontade de se espreguiçar
numa cama macia
com lençol cheiroso
travesseiro aconchegante.
acabou adormecendo em pé
sem enxergar o seu corpo despencando
ele abraçou o chão.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

MALDITO COPO MALDITO SONO MALDITO RONCO.

De madrugada, no computador do quarto do meu irmão que estava dormindo.


Comecei a ficar com sono! Eu virei o restinho de coca-cola que havia no copo, desliguei o computador e levantei da cadeira barulhenta.



Quando estava quase saindo do quarto vi aquele copo sozinho que havia ficado como a testemunha que o José ronca.


Não achava justo o José dormir com o copo observando ele, decidi levar o copo até a cozinha


O quarto estava escuro, a única luz acesa vinha do abajur e mesmo assim era muito fraca a iluminação!



Cheguei a pensar em acender a luz para poder levar o copo com uma maior segurança, só que resolvi não acender para não acordar o meu irmão.



Eu me senti seguro porque achei que conhecia bem o quarto e nada poderia dar errado.



Peguei o copo e fui andando no meio da escuridão, eu não via nada, sabia que a porta estava perto.



Quando tropecei no patinete, perdi o equilíbrio e esbarrei o copo na parede, deixando o copo cairr e quebrar em mil pedacinhos.



No momento da queda, eu ainda tentei salvar a vida do copo usando o meu tênis para amortecer o impacto, mas não funcionou!

Pelo visto o meu jeito estabanado assassinou o copo.



No momento que ouvi o barulho do vidro quebrando, tive a reação de qualquer ser humano gritando 'PUTA QUE PARIU!"



Depois me lembrei que me irmão estava dormindo e me arrependi do grito! Fiquei em silêncio cinco segundos e ouvi o ronco dele, por incrível que pareça ele não acordou.



Chegando a conclusão que o sono dele é hiper pesado, decidi ligar a luz e ver como iria fazer para juntar os cacos.


Quando liguei a luz que realmente pude ver o tamanho do estrago! Havia cacos para todos os lados parecia que tinha se formado uma cidade de caquinhos filhas da putinha!

O copo não tinha mais formato a destruição foi completa!

Diante desse conflito inusitado, mais uma vez disse " PUTA QUE O PARIU!"

Morrendo de sono fui até a cozinha pegar uma vassoura e uma pá.

Coloquei as mãos a cabeça em desespero por não encontrar a maldita pá e sua desgraçada vassoura! Fui perdendo o meu humor e ficando mais ansioso.

Movido pelo sono, cometi um ato no qual tenho vergonha. Voltei para o quarto do José, peguei uma toalha que vi por perto e juntei a maior quantidade de vidro e fiz chuva de vidro. Joguei os vidros pela janela. Foi um ato criminoso e egoísta! No meio da minha ação criminosa, me arrependi e desisti de terminar a execução desse plano para me safar da limpeza. Eu não sei se por sorte ou por azar, ainda tinha 80% do copo no chão.


Para completar o serviço já iniciado, utilizei uma segunda técnica parecida com a primeira



Só que sem toalha, dessa vez peguei um pano de chão e levei até o lixo, fiz isso várias vezes, mas mesmo assim, ainda tinha muito vidro. Foi então, que eu apelei para a terceira técnica de limpeza.

A Terceira Técnica trata-se do foda-se! Comecei a jogar os caquinhos filha da putinhas para atrás da porta e foda-se porque eu quero dormir!
É incrível que todo esse evento ocorreu em harmonia com os roncos do jovem José.



Enfim, fui dormir.



The End

PS: Isso ocorreu em Maio de 2005. Não adianta eu tentar diminuir o tamanho da minha irresponsabilidade porque eu já era maior de idade!

A Chegada.

cabelo liso escuro;
levemente molhado
até o pescoço;
ela não é alta;
possui uma pele clara;
um nariz interessante;
parecia sensível e delicada
como uma boneca de gesso.
em suas mãos uma cesta verde
onde transportava suas coisas;
outra pessoa entrou no plano:
menino alto de cabelo encaracolado
óculos fundinho de garrafa.
ele veio apenas para ligar o computador
cumpriu o seu objetivo e se foi.
ela arrumava sua nova mesa;
prendia taxinhas com lembretes;
ainda em processo de ambientação;
enquanto isso, meus olhos encantados
a filmavam discretamente
na minha própria memória.