sexta-feira, 19 de março de 2010

Janelas.

as janelas são os olhos dos prédios.
vigiam tudo o que acontece
dentro e fora dos apartamentos.

elas nos permitem ver através
dos seus olhos uma perspectiva totalmente
diferente do que estamos acostumados.

as janelas não são preconceituosas.
elas acolhem gritos, ventos, chuvas, cheiros,
luzes, insetos, conversas e até fofocas.

o bonito das janelas é o seu estado igualitário
onde todos os direitos são iguais para todos
independente de sua forma ou cor.

as janelas estão nesse mundo para ensinar.
por que não aprendemos alguns valores da vida
com a sua simplicidade?

alguns dizem que elas são passivas.
eu não vejo por esse lado, na verdade,
acredito que elas se permitem viver intensamente.

Aquarone.

giulianna é desajeitada;
os cabelos combinam
com os olhos azuis.
sempre me perco tentando
contar as sardas no seu rosto.
menina avoada que vive
esquecendo tudo.
outro dia ela me contou
que sente as pernas presas
ao chão, mas que a cabeça
vive viajando em um mundo
de pensamentos flutuantes.
jornalista de humor contagiante
que o roteirista me deu de presente.

terça-feira, 16 de março de 2010

Surpresa 2

achou ter sentido a perna tremer.
botou a mão no bolso para checar o telefone.
mas não havia uma chamada perdida.

quando de repente, ele apareceu do nada.
a surpresa foi tanta que seus olhos ficaram
infantilizados de tanta incompreensão.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Até quando Silveira?

silveira tem cinquenta anos de história.
os poucos cabelos brancos encaracolados
brilham quando a luz encontra o suor
sempre presente em seu rosto redondo.
sua barriga deforma a camisa presa na calça.
silveira sofre de enfisema há cinco anos
mas isso ainda não o impediu de apreciar
sem moderação seus cigarros longos.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Nostalgia.

já fui dono daquela rua
hoje sou um penetra
transitando pela calçada
vagamente melancólico.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sorriso Tímido

não aguento ver você
segurando o riso.
a bochecha se contrai
e um lindo sorriso escapa
pelo canto da boca.
mas antes que ele domine
sua face, você se contém
escondendo toda a graça.
a boca se fecha numa careta
reprimida mas encantadora.