terça-feira, 9 de dezembro de 2014

como a euforia
se foi
só me resta
o cinema


sábado, 29 de novembro de 2014


a porta bateu com força e o barulho 
assustou magali que deu um salto surpreendente 
parando em cima do biombo da minha bisavó

segundos depois perdeu o equilíbrio e caiu
mas no ar ela usou seu extinto de gato 
para se recompor e protagonizar uma aterrissagem de cinema




Ar.

sopro é constatação
que o ar preenche tudo
ao ponto de sufocar
o não ar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Memória Fisiológica

no meio dessa bagunça
a lembrança some

mas a vontade de comer chocolate
permanece intacta

quinta-feira, 30 de outubro de 2014


de
repente
percebi
que
arrumei
uma
solidão


terça-feira, 23 de setembro de 2014

farelos


pronto o estrago está feito!
não sabia que um simples biscoito de chocolate
nas mãos da pequena julia provocaria um estrago tão grande

farelos pelo sofá, carpete, em todos os cantos
boca, bochecha, dedos, tudo está infectado
com a deliciosa experiência  de comer biscoitos

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Bomba Relógio

mesmo sabendo
que o balão de festa
ia estourar
se assustou
quando aconteceu

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Quase!

eu olhei a poça
e ela me olhou
por um triz
não molho os sapatos

No Mundo das Letras

abismo é  tudo que tem aqui embaixo

































segunda-feira, 14 de julho de 2014

...

atrás da tarde
guardo recortes
adocicados

atrás do céu
me encontro
em pleno
pós pensamento

atrás da cor
abandono a reflexão 
e zero a memória

atrás do futuro
sem querer
abandono o presente

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Desacontecimento

se o que já era
foi, está, nem aconteceu ainda
rebobinando a fita no comum retrocesso
sem nenhum anacronismo

primeiro veio o susto, barulho denunciado
onde a ação acontece,  no gritar do atrito
a queda se desfez e o esbarrão no copo nunca existiu

cheiro de cigarro, guimba no cinzeiro,
fumaça sobe em zigzag no ar,
trago e mais trago num cigarro fumado ao contrário
até voltar para o maço e o esqueiro para o bolso.

no completo desacontecimento a carne sai do garfo, já não é apresentada no prato
passa para frigideira, fatiada e posta na geladeira. o fornecedor  faz a entrega, a sequência vem o abatimento, o último grito e a vida do boi segue feliz a base de pasto e hormônio.

coração bate e entre uma batida e outra
ele não bate. no carrossel ao contrário o velho virou novo
e a experiência foi ganhando amadorismo, a relação  desconstrói qualquer sentimento e toda ação desacontece preservando uma existência atemporal.



quinta-feira, 5 de junho de 2014

Derrame Emocional

pressão dispara
até estourar veias
agora o sentimento
se desprende,
escorre pelo bulbo
e pinga por todo corpo
paralisado em transe

terça-feira, 15 de abril de 2014

Chegou o Café

e sempre me vem a dúvida
açúcar ou adoçante
analiso o sachê e comprovo
aspartame, então decido pelo açúcar orgânico
provo o café, totalmente sem gosto
e tomo uma atitude:
para aliviar a culpa de ingerir veneno
abro o adoçante e coloco só um pouquinho
pelo menos meu café tem gosto de café.


terça-feira, 8 de abril de 2014

fazia milagre

com cinco reais
comia um cheese burger de três
tomava uma coca de um
e com o um real de troco
comprava vinte balas de maçã verde


em tardes infinitas eu prefiro um sofá
conforto necessário para deixar a tarde passar
sem efeitos especiais, o céu cinzento foi mudando de cor
já era noite quando percebi.

se eu soubesse fazer música
faria uma melodia com cheiro de café
que se alastraria da cozinha para sala
e te convidaria para torradas ou bolo de laranja

quarta-feira, 19 de março de 2014

Em Plena Reunião

a boca tremeu formando um bico fora de hora, 
ainda bem que ninguém percebeu 
quando engoli um bocejo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

O Valor do Tempo

o fato dos anos passarem
nunca me impediu até hoje
de transitar entre os anos 80 e ontem

pouso na década passada
coleto o pólen e me preparo
para o próximo voo.

as vezes desenrolo retratos
e me encontro com memórias que faziam parte
de um presente que parecia coadjuvante

o tempo refina esse fragmento
transformando momentos despretensiosos
em lembranças artesanais.





sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Com o Passar.


naquela fase
melancolia estava presente
e ia de encontro
com a beleza inocente
que se sobressaía sem querer
na franja ou no laço,
ou num despretensioso sorriso.

realidade frisada naquele olhar de outono
despedaçado e mal disfarçado aos olhos de todos
no compasso da tristeza, ela se fecha dentro si
não sei em que momento ela substituiu a melodia
por cigarros.
















sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

não quero ser o que não sou
mas as vezes sou o que não sou
e se sou ou que não sou,
não sou o que sou
mesmo sem ser  sendo
só sou soul