sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pluie.

como um espetáculo gratuito
sem hora e sem lugar marcado
vejo do meu camarote,
a chuva cair.

repertório muda a cada show
as vezes raios cortam o céu,
ventos fazem árvores dançarem,
nuvens afofam a vista,
ou simplesmente, acinzentam o céu.

o fato é que sempre é um espetáculo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sinopse de uma peça inventada.

se exibe para a solidão
num espetáculo onde o silêncio grita
e o constrangimento desbota em permanência

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

à sua frente
me desdobro
em representações imprevisíveis

apenas sua presença
é o suficiente
para sentimentos transbordarem
da caneca de capuccino

o jeito é seguir amando
cada compasso
por todos os capítulos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Receita simples para se sentir no céu.

funciona em qualquer lugar e a qualquer hora
feche os olhos e deite no chão de costas para baixo
agora simplesmente, abra os olhos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

me distraio,
observando o céu correndo
de um retrovisor alheio.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Decepção.

é pedir um café expresso
e não vir nenhum biscoitinho para acompanhar.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Chuva

se inicia a magia da natureza
pingos viram poças
cada canto da cidade é lavado
o mais encantador
são as ruas brilhando

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Memória

é uma revelação fria
do que já foi quente
um dia.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

?

converso com o silêncio,
me entrego em fragilidade
íntimo de mentira

vivo essa ilusão inventada
vicia como cacoete
mordida de pera

vou sendo costurado,
remendado,
rodopiando feito balé


logo canso,
me desequilibro
e caio.

ainda caio
sem saber
o por que?

sábado, 4 de junho de 2011

Não pode esperar.

não importa o lugar,
nem o contexto.
quando vem a sensação,
tudo é interrompido.

por alguns segundos
toda atenção é roubada
e somente o que interessa
é o espetáculo natural
chamado espirro.

domingo, 8 de maio de 2011

Onda Sonora.

a melodia engole minha sobriedade,
me transforma em alegria que balança
dentro de um compasso totalmente sem ritmo.

nesse momento, a essência se sobrepõe
e o corpo se solta em movimentos levados pela música.

um mergulho transcendental, onde som e lembranças
se misturam em uma onda emocional que dura quatro minutos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Lançamento do meu livro

Depois de dois anos escrevendo poemas, vou lançar meu primeiro livro. Reuni as melhores poesias desde o início de 2008 até o meio de 2010. Na verdade, é um pocket book, um livro bem pequeno. Gostaria de convidar todos os leitores e seguidores do meu blog para ir no evento.

O lançamento ocorrerá no próximo dia 04/05 as 20:00 - No Drink Café - Rua General Dionisio 11 - Humaita - Perto da Cobal

Abaixo o convite:


sábado, 16 de abril de 2011

Lições.

a travessa foi levada para a mesa
e antes que eu assassinasse a etiqueta
minha vó disse: "salada não se corta"
delicadamente, ela dobrava folhas de alface
e levava o garfo até a boca.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mussarela de Bufala?

levou o garfo até a boca. mastigou até reconhecer o engano.
tentou se controlar mas imediatamente sua expressão se transformou: boca se contraiu e se fechou em um bico que tremia,
os olhos estavam espremidos, parecia que ia explodir.
num impulso incontrolável, se levantou
e quase derrubou a mesa. correu até o banheiro mais próximo.
está mais do que constatada a sua aversão a ovo.

sábado, 12 de março de 2011

Confuso.

ao entrar no quarto,
não me preocupei em tirar os sapatos
simplesmente mergulhei na cama.

consciência ficou submersa
em um sono profundo,
desaguando dentro de um sonho
que me lembro mais ou menos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

De dentro.

aquele olhar blasé
é pura mentira.
mas passa por todos
como se fosse verdade.

escondido em expressões
de completa indiferença
segue a vida.

guardando sobre a estante,
sentimentos em potes de vidro.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Sono

esse fenômeno acontece
quando os olhos se fecham
e o corpo se distrai
deixando pensamentos
ganharem sons.

o início do sono
é um sonho sem lembrança
que mergulha em uma viagem
de fragmentos inventados
por nossa cabeça.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Presente do Pretérito imperfeito do Futuro

todo dia
o tempo me arranca do presente
e me joga no passado
e o passado, me faz pensar no futuro
então, fico ansioso,
flutuando fora de qualquer tempo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Em Algum Lugar em Paris.

Enfim cheguei a um cafė
Antes de sentar, tirei a fantasia:
sobretudo, cachecol, chapéu, luvas, gola, protetor de orelha, mochila...
Depois de entulhar uma cadeira de coisas,
Sentei e pedi um capuccino.
O aquecedor suavemente soprava um vento quente
Fiquei ali um bom tempo,
Saboreando cada pessoa que passava